Pernas cruzadas, sentados a mesa; deitados na cama, enrolados ou não; em pé frente ao banco, com o talão de cheques à mão; sozinho diante do espelho, ainda de pijamas. Não sei, imagine a cena como bem entender. Só peço uma coisa: não imagine as respostas. Algumas foram parcialmente ou ironicamente respondidas, outras não têm, não precisam ou não devem ter respostas universais ou até mesmo pessoais:
- Eu preciso de uma ajuda: para que lado fica a vida?
***
-
Essa é a dúvida que me angustia: esquerda ou direita?
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- Eu já nem sei o que eu ia fazer, talvez pegar algo na geladeira ou
quem sabe procurar nos almanaques guardados na estante onde exatamente fica o
início da vida. Onde será que termina essa discussão filosófica?
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- É,
talvez uma bebida ajude a esquecer o que o almanaque ajudaria a lembrar: o que
dizem ser início é apenas o que se pode ver, e o que se vê nem sempre ajuda a
encontrar. Seria bom procurar?
***
- Por menor por pormenor já procurei, me disseram que tinha um mapa
em cima da mesa, será que o vento levou pela janela?
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-
Cuidado, é perigoso se inclinar tanto assim para olhar tão em baixo, vai ver foi
só isso que ficou mesmo: a dúvida. E o que mais se precisa além dela?
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Não sei, talvez seja necessário algumas respostas direcionando os
passos. Como saber para que lado virar-se ou ações a serem realizadas?
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-
Ora, deixe de ser bobo! Não se preocupe, como cego tateando o invisível você
encontra, já olhou debaixo da cama?
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- Não, não importa mais. Talvez seguir esses caminhos traçados por
canetas não seja a melhor solução. Elas por acaso têm coração?
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Sabe-se
lá se têm coração! Não sei nem mesmo se temos coração. Temos coração? O coração
é realmente norteador de caminhos como dizem?
***
- Em busca de auxílios externos eu me perdi da pergunta inicial.
Devo ficar com a dúvida apenas ou me apegar também a crenças?
***
- Vida,
vida é o que se quer encontrar, não respostas existencialistas! Para que servem
essas respostas?
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- Para gerar mais dúvidas? Então, duvidas sem respostas e uma
procura, é só isso que tenho?
***/***
- Só
uma pergunta: por que encontrá-la?
-
Porque ela guardou em ou para si a razão de um sorriso no rosto...
Paula Carine