segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vocação para salvo e condenado


E o suspiro de alivio foi o suficiente para aqueles que se salvaram.
Ninguém salvou ninguém. No máximo salvaram-se a si.
E prolongou-se, alongou, procrastinou-se os prazos do edital.
E o que era “em breve voltará” não foi breve.
E o que era salvação virou condenação.
Os candidatos não preenchiam os requisitos necessários.
Ninguém condenou ninguém. No máximo condenaram-se a si.
E aumentou-se, ampliou, cresceu o valor para a admissão.
E o que era moral foi patrimonial
E o que era “condenação eterna” teve fim
E o suspiro de alívio foi o suficiente para aqueles que não se salvaram.
Salvação pesa porque é fruto de morte
Salvação pesa porque é fruto de repressão
É-se feliz tanto pela salvação quanto pela condenação
Tudo depende da vocação

Paula Carine

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A crítica hoje não quer sair de mim. Deixem-na aqui, porque enquanto não sai, a beleza das palavras não a suavizam. Deixem-na feroz aqui dentro. A crítica hoje faz parte de mim.
Paula Carine

quinta-feira, 29 de março de 2012

Humano ser Humano

Tem algum tempo que estou me perguntando sobre minha participação social. Cheguei a achar que eu pudesse fazer alguma coisa, mas a tendência é que nos achemos impotentes e acreditemos que em um futuro (que parece nunca chegar) seremos capazes de mudar o mundo.
Outras vezes a mesquinhez nos toma por completo, e nem mesmo essas desculpas nós utilizamos. Culpamos o próximo pelas desgraças mundiais e o próximo do próximo pelas desigualdades e desumanidades, e tudo se torna mais comodo.
Então chego a conclusão de que é difícil ser gente, é difícil ser mulher, ser homem. É difícil porque me parece duro ter que mentir e enganar a mim mesma a todo momento inventando desculpas muitas vezes desconexas para  justificar o que sabemos ser injustificável e podre. Um egoismo vil!
Tento exercitar a todo momento a sinceridade comigo, mas as vezes é uma tortura dizer-me que o que eu digo ao próximo não condiz com minha real opinião, dizer a mim que a desculpa que eu usei a um minuto atras para justificar meu comportamento errado não é uma justificação aceitável ou ética. E no fim eu nem sei como explicar-te sobre isso, parece confuso, e o confuso eu não consigo simplificar ao papel, deixo confuso mesmo e apenas na minha cabeça se descomplica, mas não adianta, não sai do plano das ideias. 
E ao mesmo tempo que não sei explicar, sei dizer que é algo que se sente, como mal estar em feriado. É sensação de angustia por não ser perfeita, por não ser moral e ética lá no mais profundo, por não ser o ser humano que disseram que eu deveria ser. Essa mascara não me serve e mesmo assim uso-a porque me disseram que eu deveria usar. Mas eu olhei meu rosto no espelho do camarim e não consigo esquecer o que vi. Eu vi um simples humano que quer mas não necessita  e pode ser um Ser Humano.

Paula Carine

OBS.: Eu sei que não preciso ser perfeita e condizer com todas as expectativas para 'fazer a diferença'. Eu sei que não preciso seguir aquelas regras tolas que apenas os olhos percebem para ter uma participação social. Eu sei que não preciso de plateia para tirar de mim essa angustia de impotência. Não, tirem esse 'Ser' e deixem-me apenas com o 'Humano', porque quanto menos peso, sobretudo de nome, eu tiver, mas fácil ser-me-á retirar-me desse estado de comodidade e procurar onde deixaram cair a igualdade.

sábado, 10 de março de 2012

Mundo bailarinando


O mundo esta dando mais uma daquelas suas voltas. Estou rodando com ele, mas tenho a impressão de não sair do lugar. Estou com a impressão de ser bailarina a rodopiar com os pés quase desencostados do chão, bailarina que rodopia sem sair do lugar. Sinto como se possuísse apenas um metro quadrado neste mundo tão extenso.  E o mundo, será que quando esta rodando sai do lugar?
A bailarina acabou a peça, acabou a dança. O mundo continua rodando, rodando.

Paula Carine

domingo, 4 de março de 2012

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Pernas cruzadas,  sentados a mesa; deitados na cama, enrolados ou não; em pé frente ao banco, com o talão de cheques à mão; sozinho diante do espelho, ainda de pijamas. Não sei, imagine a cena como bem entender. Só peço uma coisa: não imagine as respostas. Algumas foram parcialmente ou ironicamente respondidas, outras não têm, não precisam ou não devem ter respostas universais ou até mesmo pessoais:

- Eu preciso de uma ajuda: para que lado fica a vida?
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- Essa é a dúvida que me angustia: esquerda ou direita?
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- Eu já nem sei o que eu ia fazer, talvez pegar algo na geladeira ou quem sabe procurar nos almanaques guardados na estante onde exatamente fica o início da vida. Onde será que termina essa discussão filosófica?
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- É, talvez uma bebida ajude a esquecer o que o almanaque ajudaria a lembrar: o que dizem ser início é apenas o que se pode ver, e o que se vê nem sempre ajuda a encontrar. Seria bom procurar?
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- Por menor por pormenor já procurei, me disseram que tinha um mapa em cima da mesa, será que o vento levou pela janela?
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- Cuidado, é perigoso se inclinar tanto assim para olhar tão em baixo, vai ver foi só isso que ficou mesmo: a dúvida. E o que mais se precisa além dela?
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Não sei, talvez seja necessário algumas respostas direcionando os passos. Como saber para que lado virar-se ou ações a serem realizadas?
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- Ora, deixe de ser bobo! Não se preocupe, como cego tateando o invisível você encontra, já olhou debaixo da cama?
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- Não, não importa mais. Talvez seguir esses caminhos traçados por canetas não seja a melhor solução. Elas por acaso têm coração?
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Sabe-se lá se têm coração! Não sei nem mesmo se temos coração. Temos coração? O coração é realmente norteador de caminhos como dizem?
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- Em busca de auxílios externos eu me perdi da pergunta inicial. Devo ficar com a dúvida apenas ou me apegar também a crenças?
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- Vida, vida é o que se quer encontrar, não respostas existencialistas! Para que servem essas respostas?
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- Para gerar mais dúvidas? Então, duvidas sem respostas e uma procura, é só isso que tenho?



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- Só uma pergunta: por que encontrá-la?
- Porque ela guardou em ou para si a razão de um sorriso no rosto...


Paula Carine

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A peça do baú de brinquedos velhos (e quebrados)

Os materiais e métodos mudam, mas o criminoso na nossa sociedade continua a ser ator principal em um espetáculo público. Fogueira, procissão, decapitação? Não, juri e reclusão (ou detenção), mas a semelhança se encontra no fato dos noticiários (sem conhecimento jurídico quase nenhum) transformarem crimes, julgamentos e condenações em espetáculos públicos. Que justiça é essa que se maqueia e fantasia para aparecer nos jornais? É caso "isso", caso "aquilo". A mídia joga conosco, com nossos sentimentos, esquecendo-se que a vítima, mesmo em lato sendo a sociedade, em estrito é ou era uma pessoa e não um mero objeto com valor econômico, continuo com Kant diferenciando pessoas de coisas! Valores deturpados, isso que se tem. Em verdade, isso que continua-se a ter. 
E as prisões, esses canteiros de maldição, não são nada mais que baús de brinquedos velhos. Não vejo muita diferença de um presídio brasileiro e o baú de brinquedos velhos de uma criança sapeca. Aquela criança que não cuida dos seus brinquedos, que os larga em qualquer lugar, brinca sem cuidado, destruindo as vezes irreversivelmente o seu brinquedo. Sim, essa criança é a nossa sociedade. E o brinquedo? Claramente e sem pudor algum posso dizer que somos nós, os esquecidos pelas politicas publicas, esquecidos pelo governo, pelos políticos, pelos mais favorecidos. E quando este brinquedo está quebrado e aparentemente inutilizável por essa criança, joga-se no baú de brinquedos velhos. Um baú escuro, frio, e que fede a mofo. Estar ali não fará com que este brinquedo 'se recupere', não, ele apenas ficará cada vez mais inutilizável. Adquirirá um fedor insuportável de mofo, o que o deixará cada vez mais suscetível a novas deteriorações.

Paula Carine

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Tem horas que a sociedade está tão intragável que não dá para fazer poesia. Tem momentos que a beleza se esconde e sobressai o lixo, o que há de podre. Minha poesia pode mostrar o triste, e até o melancólico, mas ela se recusa a pintar a segregação e injustiça, mesmo que em forma de crítica. Por favor, não digam que hoje eu fiz poesia, porque na verdade eu apenas contextualizei a hipocrisia!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

questionamento sem interrogação

Tem vezes que a fantasia me pega pelo pé e sai me arrastando pela casa. Tem dias que o misticismo é maior e para alcança-lo, preciso de uma escada imaginária que não possuo, então desisto de tocá-lo.
Nesses dias eu me questiono se essa minha costumeira impressão correta de futuro é previsão ou apenas racionalização. 
Pergunto-me se é apenas uma mistura de pessimismo com realismo ou se sou capaz de pressentir resolução de futuro por essência.
Mas são questionamentos que não encontram respostas, ao passo que não consigo me agarrar ao misticismo.

Paula Carine